quarta-feira, 19 de março de 2014

Libertação

Aylton Paiva
“Mas aquele que aborrece a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos.” (I João,2:11.)
Alimentam ódio entre si os Espíritos? “Só entre os Espíritos impuros há ódio e são eles que insuflam nos homens as inimizades e as dissensões.”1

André Luiz prepara-se para novo curso teórico-prático, que fará na Colônia Espiritual Nosso Lar, com atuações nas esferas espirituais inferiores e no plano físico. Nessa preparação ouve a palestra do mentor espiritual Flacus. Ele analisa a ação mental do ser humano e da humanidade através do tempo na utilização da energia mental de forma positiva ou negativa, para construir ou destruir. Apresenta, entre outros, o seguinte conceito:

Após a elucidativa palestra de Flacus, André Luiz, em companhia do instrutor Gúbio, de-verá prestar auxílio socorrista, no plano físico, em favor da jovem Margarida, vítima de terrível processo obsessivo.

Ligado a ela, através dos séculos, por laços de doentia afinidade, está Gregório, que deteve poderosa autoridade no mundo físico, voltada ao mal e, após a morte do seu corpo físico, prossegue com sua inteligência e autoridade, comandando Espíritos também voltados temporariamente ao mal.

Em meio a essa infeliz ligação afetiva, o nobre Espírito Matilde, coração materno amoroso que, através do tempo, procura encaminhar o filho para a senda do bem, da justiça e do amor. No decorrer desse sublime processo do amparo maternal, outras vidas se cruzam em romances dolorosos nos amplos palcos da vida: no mundo material e no mundo espiritual nos quais se confrontam os atos de amor e perdão com as artimanhas do ódio e da vingança.

Por derradeiro, o luminoso Espírito Matilde acolhe o filho Gregório, tirando-o das regiões infernais e das condições temporárias de um demônio para alçá-lo ao processo redentor da evolução espiritual.
Por sua vez, Gúbio, o pai extremado,liberta a amada filha das tenebrosas teias magnéticas de Gregório, revertendo seu estado físico já à beira da morte.
Culminando a missão gloriosa da libertação, André ouve do instrutor Gúbio:

– Jesus te recompense, filho meu, pelo papel que desempenhaste nesta jornada de libertação.Nunca te esqueças de que o amor vence todo ódio e de que o bem aniquila todo o mal.3
Em obra que contém detalhado estudo, encontramos a apreciação:
Libertação – Destaca o corajoso esforço dos benfeitores espirituais na conversão ao bem dos Espíritos dedicados ao mal e propicia o conhecimento de como agem os Espíritos infelizes, buscando influenciar os homens para cooperar com seus propósitos malsãos.

Pelas páginas de Libertação, acompanharemos as sábias e amorosas ações de Gúbio, André, Elói e Matilde no esforço recomendado pelo Mestre Jesus de transformar o ódio em amor e a vingança em ações de fraternidade e solidariedade.

Essa é a Lei divina.Nossa visão da vida espiritual ganhará amplitude jamais antes alcançada, após a leitura dessa emocionante obra de André Luiz.

REFERÊNCIAS:
1 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos.Trad. Guillon Ribeiro. 93. ed. 1.imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB,2013. q. 292.
2 XAVIER, Francisco C. Libertação.Pelo Espírito André Luiz. 33. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. 1, Ouvindo elucidações, p. 21 e 22.
3 ____. ____. cap. 20, Reencontro, p. 270.
4 CAMPETTI SOBRINHO, Geraldo (Coord.) A vida no mundo espiritual:estudo da obra de André Luiz. 2. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. 1, Resumo dos livros e capítulos, Libertação, p. 179.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

NOVOS PROFETAS

280 – Os profetas do Cristo têm voltado à esfera material para trazer aos homens novas expressões de luz para o futuro da Humanidade?
– Em tempo algum as coletividades humanas deixaram de receber a sublime cooperação dos enviados do Senhor, na solução dos grandes problemas do porvir.
Nem sempre a palavra da profecia poderá ser trazida pelas mesmas individualidades espirituais dos tempos idos; contudo, os profetas de Jesus, isto é, as poderosas organizações espirituais dos planos superiores, têm estado convosco, incessantemente, impulsando-vos à evolução em todos os sentidos, multiplicando as vossas possibilidades de êxito nas experiências difíceis e dolorosas. É verdade que os novos enviados não precisarão dizer o que já se encontra escrito, em matéria de revelações religiosas; todavia, agem nos setores da Ciência e da Filosofia, da Literatura e da Arte, levantando-vos o pensamento abatido para as maravilhosas construções espirituais do porvir. Igualmente, é certo que os missionários novos não encontram o deserto de figueiras bravas, onde os seus predecessores se nutriam apenas de gafanhotos e de mel selvagem, mas ainda são obrigados a viver no deserto das cidades tumultuosas, entre corações indiferentes e incompreensíveis, cercados pela ingratidão e pela zombaria dos contemporâneos, que, muitas vezes, lhes impõem o pelourinho e o sacrifício.
O amor de Jesus, todavia, é a seiva divina que lhes alimenta a fibra de trabalho e realização e, sob as suas bênçãos generosas, as grandes almas solitárias atravessam o mundo, distribuindo a luz do Senhor pelas estradas sombrias.

O CONSOLADOR
(pelo Espírito Emmanuel)
Francisco Candido Xavier

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Liderança

Marta Antunes Moura
Alvo de estudo desde a remota Antiguidade, a liderança permanece como tema atual que pode ser conceituado como a capacidade de alguém, denominado líder, conduzir uma equipe para a produção de resultados. Líder é diferente de chefe. O primeiro se esforça para manter a equipe motivada, trabalhando integradamente com ela; por dar exemplo de boa conduta, moral e ética; por preservar o bom relacionamento interpessoal, realizando periódicas avaliações (feedbacks) construtivas que visam o crescimento da equipe.

O segundo concentra esforços na administração de recursos organizacionais, colocando o elemento humano em segundo plano; age mais como um “comandante” que, em geral, superestima a si mesmo e o papel que ocupa na instituição; gosta de se colocar sob holofotes e, na maioria das vezes, é autoritário e centralizador do poder. Neste contexto, o líder é respeitado, o chefe é temido.

Acredita-se, atualmente, que um meio termo entre ambos apresentaria a liderança ideal, porque o líder-chefe teria o necessário senso crítico para desempenhar o papel que lhe compete, conforme o conceito de David Carraher, cientista sênior da Universidade de Cambridge, Massachusetts (EUA), e professor de Psicologia da Universidade de Pernambuco:

Um indivíduo que possui a capacidade de analisar e discutir problemas inteligente e racionalmente, sem aceitar, de forma automática, suas próprias opiniões ou opiniões alheias, é indivíduo dotado de senso crítico.1

Não obstante, a liderança pode apresentar alguns senões, ainda que o líder possua grande poder de influenciação e até realize algo bom ou útil. Eis como Emmanuel compreende o significado de liderança positiva:

A liderança real no caminho da vida não tem alicerces em recursos amoedados.
Não se encastela simplesmente em notoriedade de qualquer natureza.
Não depende unicamente de argúcia ou sagacidade.
Nem é fruto de erudição pretensiosa.
A chefia durável pertence aos que se ausentam de si mesmos, buscando os semelhantes para servi-los...
2

Em visita à cidade de Goiânia (GO), em 1974, Chico Xavier é entrevistado, oferecendo-nos ins- pirada resposta à pergunta: “Na opinião da espiritualidade, como definir a verdadeira liderança?”. 3

Temos, com toda certeza, lideranças as mais respeitáveis e por elas nos orientamos no mundo para a sustentação da ordem, da segurança, do trabalho e do proveito em favor de todos, mas a liderança genuína, segundo Nosso Senhor Jesus Cristo, é sempre aquela que Ele define no próprio Evangelho: “E aquele que desejar ser o maior, que se faça o servidor de todos”. 3 (Mateus, 20:27)

A resposta dada por Chico põe em relevo não só as necessárias características do líder (sustentação da ordem, da segurança, do trabalho e do proveito em favor de todos), segundo a atual concepção de liderança-chefia,mas aponta sobretudo o ideal que deve ser atingido pelos verdadeiros líderes: “[...] aquele que desejar ser o maior, que se faça o servidor de todos”. (Mateus, 20:27)

São orientações que não devem ser banalizadas porque, relendo todo o texto evangélico, no qual o versículo 27 está inserido, vemos a importância da citação de Chico Xavier para uma melhor compreensão do ensino de Jesus. Nos versículos 20 a 26, Mateus descreve o encontro do Mestre nazareno com a mãe dos filhos de Zebedeu (João e Tiago Maior) que, tal como acontece a todos nós, limitados pelos benefícios transitórios da vida no plano físico, pede ao Senhor:

Dize que, no teu Reino, estes meus dois filhos se assentem um à tua direita e o outro à tua esquerda. (Mateus, 20:20 e 21)

Parece até que a história é recente, quando constatamos as diferentes manifestações de fisiologismo na sociedade. Fisiologismo, por definição, refere-se à relação de poder em que ações e decisões são tomadas em troca de favores e outros benefícios de interesse pessoal, em detrimento do bem comum.
Entretanto, o próprio Jesus, o maior de todos os líderes, o governador do planeta Terra, se coloca como simples servidor, que dispensa tratamento especial:

Da mesma forma que o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. (Mateus, 20:28)

As instituições espíritas apresentam, em princípio, todas as condições necessárias de se transformarem em exemplos organizacionais, pois têm como referência as orientações do Evangelho de Jesus e os ensinamentos da Doutrina Espírita. É por isso que Divaldo Franco ensina, com muita propriedade, qual é o papel do dirigente espírita:

É de muita relevância o papel do dirigente espírita, porque ele, de certo modo, apresenta as ansiedades da comunidade que o elege para a tarefa. Ele, porém, ao invés de ser o chefe da casa é o trabalhador mais devotado do grupo. É o companheiro da exemplificação, principalmente da tolerância, da compreensão e do devotamento, para que o seufruto seja de boa qualidade e estimule ao bem os neófitos, os que estão chegando e aqueles outros que já colaboram, de modo a levar adiante os postulados que a Casa defende e que ele abraçou espontaneamente. 4

Nem sempre a pessoa mais culta, a mais influente, ou a que mais se destaca, é a mais indicada para nos liderar, sobretudo na Casa Espírita, como pondera Allan Kardec:

[...] Assim, a alma de um poderoso da Terra pode mais tarde animar o mais humilde operário e vice-versa, porque, entre os homens, as posições sociais guardam, frequentemente, relação inversa com a elevação dos sentimentos morais. Herodes era rei, e Jesus, carpinteiro. 5(Grifo nosso.)

Ken Blanchard e Phill Hodges, autores do livro Lidere com Jesus, comentam com aguda sensibilidade o momento atual vivido pela sociedade, pregando que a solução é liderar com Jesus:

O mundo está precisando desesperadamente de um modelo de liderança diferente. A mídia nos despeja diariamente inú- meros casos de valores abandonados, de confiança traída, de exploração e de manipulação cometidos por pessoas importantes e influentes. Líderes de países e corporações usam seus cargos em benefício próprio, enquanto uma incalculável multidão definha na pobreza e na falta de esperança. Líderes religiosos escandalizam os crentes, comprometem igrejas e provocam ceticismo, revolta e decepção. Famílias se dissolvem deixando marcas em seus membros, e as relações de amizade são rompidas por causa de interesses puramente pessoais. 6

Espíritas, precisamos conhecer mais o Evangelho e o Espiritismo, incorporando os seus postulados à nossa conduta. Comecemos, por exemplo, por rever a parábola do mordomo/administrador infiel (Lucas, 16:1 a 13), que simboliza a má liderança. No versículo dois, o Mestre chama a atenção do administrador para a responsabilidade do compromisso por ele assumido, dizendo-lhe: “Dá conta da tua administração” (Lucas, 16:2). Emmanuel assim comenta esta parábola:

Na essência, cada homem é servidor pelo trabalho que realiza na obra do supremo Pai, e, simultaneamente, é administrador, porquanto cada criatura humana detém possibilidades enormes no plano em que moureja. Mordomo do mundo não é somente aquele que encanece os cabelos, à frente dos interesses coletivos, nas empresas públicas ou particulares, combatendo tricas mil, a fim de cumprir a missão a que se dedica.
Cada inteligência da Terra dará conta dos recursos que lhe foram confiados.
A fortuna e a autoridade não são valores únicos de que devemos dar conta hoje e amanhã.
7

Encerrando a sua mensagem, o Benfeitor espiritual apresenta uma indagação, um aconselhamento e uma previsão, ótimo roteiro para todos nós, espíritas e não espíritas:

Que fazes, portanto, dos talentos preciosos que repousam em teu coração, em tuas mãos e no teu caminho? Vela por tua própria tarefa no bem, diante do Eterno, porque chegará o momento em que o Poder divino te pedirá: “Dá conta de tua administração”.

Referências:

1 CARRAHER, David W. Senso crítico: do dia a dia às ciências sociais. 5. ed. São Paulo: Pioneira, 1999. Introdução, p. xix.
2 XAVIER, Francisco C.; VIEIRA, Waldo. O espírito da verdade. Por diversos Espí- ritos. 18. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. 64.
3 XAVIER, Francisco C. Chico Xavier em Goiânia. Pelo Espírito Emmanuel. São Bernardo do Campo (SP): Geem, 1978. q. 13, p. 50.
4 FRANCO, Divaldo P. Diálogo com dirigentes e trabalhadores espíritas. 6. ed. São Paulo: USE, 2005. primeiro diálogo, it. 1.9.
5 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 1. reimp. Brasília: FEB, 2013. Comentário de Allan Kardec à q. 194a.
6 BLANCHARD, Ken; HODGES, Phill. Lidere com Jesus. Trad. Regina da Veiga Pereira e Sonia Maria Moitrel Schwarts. Rio de Janeiro: Sextante, 2007. Cap. 1, p. 17.
7 XAVIER, Francisco C. Fonte Viva. Pelo Espírito Emmanuel. 6. imp. Braília: FEB, 2013. Cap. 75, p. 165.
8 _____. ______. p. 166.


Extraído da Revista Reformador, edição de agosto de 2013.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Tríplice aspecto do Espiritismo


Marta Antunes de Moura

Doutrina Espírita: Filosofia, Ciencia e Religião


A Doutrina Espírita é de natureza tríplice, pois abrange princípios filosóficos (é uma “filosofia espiritualista”1), científicos e religiosos ou morais. Daí Allan Kardec afirmar: O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática consiste nas relações que se podem estabelecer entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que decorrem de tais relações.2

Tendo como referência essa orientação, o Espírito Emmanuel elucida: Podemos tomar o Espiritismo, simbolizado [...] como um triângulo de forças espirituais. A Ciência e a Filosofia vinculam à Terra essa figura simbólica, porém, a Religião é o ângulo divino que a liga ao céu.” 3 E acrescenta:

No seu aspecto científico e filosófico, a Doutrina será sempre um campo nobre de investigações humanas, como outros movimentos coletivos, de natureza intelectual, que visam ao aperfeiçoamento da Humanidade. No aspecto religioso, todavia, repousa a sua grandeza divina, por constituir a restauração do Evangelho de Jesus Cristo, estabelecendo a renovação definitiva do homem, para a grandeza do seu imenso futuro espiritual. 3

 Em linhas gerais, o aspecto filosófico analisa a Criação Divina, explicando porque Deus criou o homem, qual é a sua origem e sua destinação, refletindo sobre as causas da felicidade e infelicidade humanas. O aspecto científico fornece comprovações a respeito da natureza e imortalidade do Espírito; a influência exercida pelos Espíritos e o intercâmbio mediúnico estabelecido entre  encarnados e desencarnados. O aspecto religioso trata das consequências morais do comportamento humano, definido pelo uso do livre arbítrio e governado pela lei de causa e efeito.

A melhoria moral, orientada pelo Espiritismo, fundamenta-se nos preceitos doutrinários do Evangelho de Jesus,  considerado “modelo e guia da Humanidade” 4: “Para o homem, Jesus representa o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão de sua  lei [...].”4

Referências

    KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Folha de Rosto.
    ____. O que é o espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 1. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Preâmbulo.
    XAVIER, Francisco Cândido. O consolador. Pelo espírito Emmanuel. 28. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Definição.
    KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010, questão 625.
Extraído do site da Federação Espírita Brasileira

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Como vivem as crianças hoje?

Marta Antunes Moura
Com a ampliação da expectativa de vida para 100 ou mais anos, devido à prevenção de doenças e à melhoria da saúde, é “[...] possível hoje, quando nasce uma criança, fazer uma previsão, para os próximos 30 anos, das doenças genéticas que ela provavelmente vai ter e então entrar com um programa de prevenção e orientação”.1 Quanto ao aspecto psicológico, no contexto da convivência social, o futuro aponta uma preocupante incógnita ao constatar o significativo número de genitores despreparados para o exercício da maternidade e paternidade responsáveis.
O desenvolvimento físico e psíquico da criança não dispensa os necessários cuidados de alimentação e higiene que devem estar associados ao afeto e à atenção, os quais, em princípio, deveriam ser dispensados pelos genitores, ou por um deles, a fim de que se construa um relacionamento harmônico entre pais e filhos. A satisfação genuína das necessidades fisiológicas e afetivas da criança, viabilizada pela maternidade e a paternidade responsáveis, auxilia o Espírito no combate às próprias imperfeições ou más tendências, fornecendo-lhe condições propícias para saber lidar com os desafios existenciais. O lar – ensina Joanna de Ângelis – “[...] não pode ser configurado como a edificação material, capaz de oferecer segurança e paz aos que aí se resguardam. A casa são a argamassa, os tijolos, a cobertura, os alicerces, os móveis, enquanto o lar são a renúncia e a dedicação, o silêncio e o zelo que se permitem àqueles que se vinculam pela eleição afetiva ou através do impositivo consanguíneo, decorrente da união”.2
Os genitores atuais, conscientes ou não do papel que lhes cabe no contexto da organização familiar, são chamados a refletir, mantendo coração e mente abertos, sobre como vivem as nossas crianças hoje. Essa reflexão se dirige apenas aos pais que integram uma família comum, situada na faixa social dos que vivem nos extremos da pobreza e da riqueza, de realidade diversa. Em geral, as crianças situadas entre esses dois níveis sociais “[...] vivem num mundo cujo cotidiano o tempo virou pelo avesso. Tudo acontece muito rapidamente e as informações, as vidas, as relações familiares, os afetos, os encontros sofrem mudanças com muita frequência”,3 afirma o conhecido médico pediatra brasileiro, José Martins Filho. Nesse sentido, causam impacto os resultados de pesquisas sérias, bem orientadas que, entre outros, ressaltam: a) os pais não estão tendo tempo para assumir os filhos, para se dedicarem a eles; b) as crianças passam muito pouco tempo com os pais, são entregues a babás (nem sempre qualificadas) ou vão muito cedo para a escola: “As creches se transformaram na grande saída para a mãe que trabalha. Mas não há um jeito de ficar em casa com a vovó ou com alguém de confiança que lhe possa dar atenção integral, amor, carinho e dedicação?”.4 Indaga também Dr.Martins Filho, que cunhou a expressão “criança terceirizada”, ou seja, aquela entregue a cuidadores, em casa ou nas creches/escolas. Há, porém, o argumento de que é mais importante a qualidade do atendimento do que a quantidade de horas passadas junto à criança. Nada mais justo. Mas há outros pontos a ponderar. 
Claro que a qualidade do relacionamento é muito importante, mas qual o mínimo de tempo considerado ideal? Dez minutos por dia? Três ou quatro beijinhos sôfregos antes de sair correndo ou ao voltar do trabalho e encontrar a criança já na cama, banhada e alimentada? Isso é qualidade? E nos fins de semana? Trazer trabalho para casa e ficar o fim de semana inteiro plugado no computador, resolvendo os problemas da firma e pedindo silêncio, às vezes irritado porque precisa trabalhar? Alguém já fez uma planilha e se deu conta de quanto tempo fica com os filhos por dia, por semana, por mês? Já pensou o que isso vai significar no final de um ano ou de toda a infância? Qual o percentual de presença que você está dando para seus filhos?5
A reflexão proposta por estudiosos, e também no âmbito deste artigo, não é trazer de volta o modelo burguês ou patriarcal da família (pai provedor, mãe cuidadora dos filhos), mas, em fazermos uma análise honesta, sincera, de que não estaríamos caminhando para outro extremo: o do abandono ou da negligência. “Os estudiosos demonstram cada vez mais o que significa a sensação de abandono, desde o bebê, no primeiro ano, que repentinamente se vê sem a mãe por vários dias, até crianças jogadas ao léu, abandonadas nas ruas [...]. Toda criança fica aterrorizada diante da perspectiva de abandono. Para a criança o abandono por parte dos pais é equivalente à morte, pois, além de se sentir abandonada, ela mesma se abandona.”6 A realidade do abandono ou da negligência, declarada ou sutil, não é fictícia, pois que, somando-se às usuais desordens estruturais e sociais (pobreza, violação dos direitos humanos, preconceitos, desigualdade social, acesso a drogas e álcool etc.), podem conduzir a um quadro social aterrador.7
É preciso, então, trabalhar a ideia da maternidade e paternidade conscientes:“Nasce a criança, trazendo consigo o patrimônio moral que lhe marca a individualidade antes do renascimento no plano físico; no entanto, receberá os reflexos dos pais e dos mestres que lhe imprimirão à nova chapa cerebral as imagens que, em muitas ocasiões, lhe influenciarão a existência inteira”.8
Desenvolver o senso de responsabilidade quanto à educação de filhos é tarefa dos pais, biológicos ou adotivos: “[...] os Espíritos devem contribuir para o progresso uns dos outros. Pois bem, os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Isto constitui para eles uma tarefa: se falharem, serão culpados”.9 Assim, pais responsáveis devem aprender a identificar o que é realmente necessário e supérfluo na vida, considerando se não seria válido, por exemplo, adiar a realização profissional ou a aquisição de bens enquanto os filhos são pequenos, mantendo-se mais próximos a eles até os cinco anos, ao menos, período considerado fundamental à modelagem do caráter, dos hábitos e dos comportamentos. Lembremos, com Emmanuel, que a “criança é um trato de terra espiritual que desenvolverá o que aprende, invariavelmente,de acordo com a sementeira recebida”.10
Antes da idade escolar, propriamente dita, o ideal seria que pelo menos um dos genitores, ou alguém responsável (avó, por exemplo), auxiliasse a criança na construção de valores morais e no fortalecimento dos laços familiares, a fim de que a criança aprenda a viver (e sobreviver) com equilíbrio em uma sociedade hedonista, consumista e competitiva qual a em que estamos inseridos.
Tratá-los à conta de enfeites do coração será induzi-los a funestos enganos, porquanto, em se tornando ineficientes para a luta redentora, quando se lhes desenvolve o veículo orgânico facilmente se ajustam ao reflexo dominante das inteligências aclimatadas na sombra ou na rebeldia, gravitando para a influência do pretérito que mais deveríamos evitar e temer. É assim que toda criança, entregue à nossa guarda, é um vaso vivo a arrecadar-nos as imagens da experiência diária, competindo-nos, pois, o dever de traçar-lhe noções de justiça e trabalho, fraternidade e ordem, habituando-a, desde cedo, à disciplina e ao exercício do bem, com a força de nossas demonstrações, sem, contudo, furtar-lhe o clima de otimismo e esperança. Acolhendo-a, com amor, cabe-nos recordar que o coração da infância é urna preciosa a incorporar-nos os reflexos, troféu que nos retratará no grande futuro, no qual passaremos todos igualmente a viver, na função de herdeiros das nossas próprias obras.11
O desafiante momento da existência no Planeta, denominado Transição, demonstra que, mais do que se imagina, a vida em família é considerada peça fundamental na engrenagem evolutiva do ser, elemento determinante da felicidade futura. “Assim, a família biológica é célula inicial do organismo em geral em que todos se movimentam”12, assinala Amélia Rodrigues. Nestes termos, o nascimento e a educação de filhos não podem ser considerados um desprazer, algo que pode ser delegado (“terceirizado”) a outrem: “Viver em família é a melhor solução para a prevenção de distúrbios de desenvolvimento físico, emocional e cognitivo”.13
Resulta daí o aumento de mensagens provenientes do plano espiritual, de entidades sofredoras e de benfeitores que, em síntese, alertam: “A família doméstica, portanto, não é resultado apenas da união daqueles que se amam, porém, de todos quantos se necessitam, a fim de que se ajudem uns aos outros, gerando dependência afetiva. [...] Os pais terrestres são instrumentos transitórios da Divina Sabedoria, que deles se utiliza para o aperfeiçoamento das almas no seu processo de elevação. [...]”

1CAPELATTO, Ivan; FILHO, José Martins. Cuidado, afeto e limites. Uma combinação possível. 4. ed. Campinas, SP: Papirus, 2011. p. 43-44. 
2FRANCO, Divaldo P. SOS família. Por Joanna de Ângelis e outros Espíritos. 2. ed. Salvador: LEAL, 1994. Família (Mensagem de Joanna de Ângelis), p. 17-18. 
3FILHO, José Martins. A criança terceirizada. Os descaminhos das relações familiares no mundo contemporâneo. 6. ed. Campinas, SP: Papirus, 2011. Cap. 6, p. 74. 
4______. ______. p. 76. 
5______. ______. p. 76-77. 
6______. ______. 70-71. 
7MARTINS, Christine Baccarat de Godoy; JORGE, Maria Helena Prado. Negligência e abandono de crianças e adolescentes: análise dos casos notificados em município do Paraná, Brasil. PEDIATRIA (SÃO PAULO) 2009, 31(3): 186-97. 
8XAVIER, Francisco C. Pensamento e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 18. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 13, p. 57. 
9KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Q. 208. 
10XAVIER, Francisco C. Família. Espíritos diversos. 5. ed. São Paulo: CEU, 1986. Em família (Mensagem de Emmanuel), p. 18. 
11______. Pensamento e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 18. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 13, p. 59-60. 
12FRANCO, Divaldo P. A mensagem do amor universal. Pelo Espírito Amélia Rodrigues. Salvador: LEAL, 2008. Cap. 14, p. 81. 
13FILHO, José Martins. A criança terceirizada. Os descaminhos das relações familiares no mundo contemporâneo. 6. ed. Campinas, SP: Papirus, 2011. Cap. 6, p. 71. 
14FRANCO, Divaldo P. A mensagem do amor universal. Pelo Espírito Amélia Rodrigues. Salvador: LEAL, 2008. Cap. 14, p. 82.
Extraído da edição de julho de 2012 NNº 2200 • Julho 2012º 2200 • Julho 2012

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Chico Xavier, meu presente e a emoção indescritível


                                     Fátima Farias  



                              
         Há momentos inesquecíveis em nossas vidas.  Existem também presentes especiais que, ao invés dos convencionais, embalados num papel, vem revestido de pura emoção. Faz dez anos que fui contemplada com ambos e continuam repercutindo na minha alma. Fiz questão de olhar o relógio para gravá-los, na minha memória e coração, quando os recebi. Aconteceu dia 28 de março de 2002, às 23h40, de uma quinta-feira, quando fiquei frente a frente com Chico Xavier.  
             Cheguei ao seu lar, acolhida pela excelente receptividade do seu filho, Eurípedes Higino, e o presente da feliz oportunidade, concedido pela amiga Lisle Lucena, que desfrutou da amizade de Chico por mais de quinze anos. Aquele encontro foi um misto de felicidade e emoção, além da realização de um sonho. Só o fato de ingressar no seu ambiente familiar  era suficiente para ser tomada por aquela vibração energética. Já ouvira falar que era assim, mas sinto dificuldade em reproduzir aquela sensação que dele emanava. Simplesmente indescritível! 
              Viajei da capital paraibana,  João Pessoa, acompanhada dos amigos Severino Celestino e sua esposa Graça, Bob Vagner e Iliseu Garcia, para passarmos a Semana Santa em Uberaba  (MG). Do grupo, tive um privilégio maior, ao ficar hospedada com Lisle na residência de Chico. Assim pude conviver com o dia-a-dia daquele ser especial e entender porque era tão amado e respeitado acima de credo religioso. Com o relato desta experiência, publicada no jornal O Norte, onde trabalhava na época, considero a reportagem mais marcante da minha carreira jornalística. Também está registrada, com mais detalhes, no meu livro ‘Encontro com Consciências – Diálogo da unidade com a diversidade’.
        Após o nosso primeiro encontro, uma surpresa maravilhosa. Era noite da sexta-feira, 29 de março. Estávamos na sala eu, Lisle, e a dupla de músicos brasilienses, Carlos Maurício e Izaltino Júnior, que foi tocar para o médium. Acompanhado de seu filho Eurípedes, Chico chega para assistir ao Jornal Nacional e o capítulo da novela O Clone. Ele fez referências ao noticiário, lamentou os conflitos anunciados no Oriente Médio, elogiou a beleza da atriz Giovanna Antonelli, que fazia o papel de Jade, e gostou de ver o baile que passava na novela.

           Transfusão energética - A seguir, naquela sala, aconteceu o ponto alto de minha convivência com Chico Xavier. Eurípedes, o filho adotivo, sentado ao seu lado e fazendo-lhe carinho, saiu por uns instantes e eu ocupei seu lugar. Segurei a mão esquerda de Chico e, ao afagá-la, ele me olhou carinhosamente e sorriu. Instantes depois pensei em soltá-la para deixá-lo confortável, mas, para minha surpresa, era ele quem segurava minha mão direita. Foi quando senti uma vibração tão forte, bombardeando meu ser, como se fora uma transfusão energética. Haja coração! É uma emoção sempre revivida quando relembro.
           Cerca de uma hora depois, Chico pediu para se recolher, deu boa noite e beijou as nossas mãos. O músico Carlos Maurício disse-lhe: ‘O senhor é muito importante’. Ele respondeu: ‘Eu sou muito pequenino’, repetindo a demonstração de humildade, tão peculiar em sua trajetória.
         Ao longo dos quatro dias em Uberaba, convivendo de perto com Chico Xavier, este período foi pontilhado de momentos marcantes. No sábado, os quatro amigos paraibanos chegam do hotel para o almoço com Chico, em sua casa, para um seleto número de convidados. Todos foram unânimes em sentirem-se presenteados e a demonstrar a emoção sentida e expressar felicidade. Era almoço regado a lágrimas. 
Flash da formação da fila para recebimento da cesta básica, no 
Grupo Assistencial Francisco Cândido Xavier

         À tarde fomos ao Grupo Assistencial Francisco Cândido Xavier para assistir e registrar a distribuição de cestas básicas, agasalhos e brinquedos para crianças e enxovais às gestantes. A equipe iniciou os trabalhos com prece, leitura e comentário do Evangelho, fazendo assim a ponte do trabalho social com a assistência espiritual.

           Ecumenismo em ação – Observei que a tendência ecumênica fazia parte do dia-a-dia de Chico Xavier. Primeiro pelo respeito e assistência que ele recebia e tinha para com as pessoas, independentemente de credo. Na copa, onde ele passava grande parte do dia, e no seu quarto, simples como como ele mesmo, esculturas e imagens de Nossa Senhora. Do micro system ecoavam músicas eruditas, mas também as do estilo romântico de Roberto Carlos, Nossa Senhora, Ave Maria, Padroeira e outras do gênero. Como sua hóspede, percebi que a boa energia do ambiente, bastante simples, mas aconchegante, era saudada logo cedo da manhã pelo canto dos bem-te-vis.
           Bastante carinhoso com os seres em geral, Maria Higino Miranda, que trabalhou vários anos com Chico, revelou que ele não permitia a dedetização da casa, para não matar os insetos. Outra peculiaridade, relatada por Maria, é que Chico era tão atencioso com as pessoas que o rodeavam que ele fazia questão de confeccionar, artesanalmente, os cartões de saudação que enviava por ocasião de datas especiais. Uma espécie de hobby que ele cultivava.

          Comemoração do último aniversário de Chico Xavier

           No sábado, 30 de março de 2002, participamos da festa de seu último aniversário (ele completaria 92 anos, dia 2 de abril) e exatamente três meses depois ele se despedia do Planeta, quando nós, brasileiros, comemorávamos o pentacampeonato mundial de futebol. Mas naquela noite de sentimos, testemunhamos e compartilhamos de pura emoção.



Chico Xavier no Grupo Espírita da Prece, no dia do aniversário,
com a medalha que recebeu do Rotary Clube de São Paulo 

           Eram 19h40 quando Chico chegou para a reunião no Grupo Espírita da Prece.  Foi recepcionado por uma multidão com gritos, aplausos e emoção. Todos queriam tocá-lo ou, pelo menos, vê-lo de um melhor ângulo. Muitos haviam chegado ao local cedo da manhã, para conseguir um lugar privilegiado na fila. Os portões de acesso abriam às 16 horas. Era um gesto repetido há décadas, aos sábados.
A imprensa buscava depoimento de pessoas que viajavam milhares de quilômetros exclusivamente para isso. A tarefa era fácil, pois ali estava gente de todas as idades, classes sociais, credos e recantos do Brasil. Durante o dia, constatado num city-tour, placas de ônibus indicavam origem de diversas localidades. Fui informada que os hotéis estavam superlotados.
         Enfim, eu e os amigos paraibanos fomos protagonistas e, ao mesmo tempo, espectadores daquelas doces lembranças, regadas a momentos de muita emoção. Chico ocupou seu lugar na cabeceira da mesa. Começou a reunião com uma prece, seguida da leitura do Evangelho e comentário  da  senhora Marilene Paranhos Silva. Ela ilustrou sua palestra destacando a importância de Deus em nossas vidas e dos exemplos de humildade e amor de Cristo e de Chico Xavier, respectivamente. ‘Com todo respeito a outros missionários, mas não se tem notícias de uma pessoa que haja dedicado mais de 75 anos de sua vida ao trabalho de amor ao próximo. Chico Xavier é um missionário de luz, conforto, amor e alegria’, destacou.
Concluída esta parte dos trabalhos, com uma prece final, foi formada  a fila para os cumprimentos a Chico Xavier. Expectativa, emoção, alegria eram sentimentos expressos nas fisionomias. Incansável, ele recebeu até o último da fila, com a mesma atenção, carinho e alegria. Foi beijado e beijou as mãos de cada um. Eu que experimentei, falo com conhecimento de causa: a vibração daquele gesto é indescritível. Muita gente já chorando, muito antes de se aproximar. Cada pessoa recebia uma fatia do bolo de aniversário com refrigerante.
        Chico Xavier recebeu diversas homenagens artísticas. O Rotary Clube de São Paulo concedeu-lhe uma medalha. Questionado por um jornalista sobre um presente que ele gostaria de receber, respondeu: ‘a paz de Deus para o mundo’, reafirmando a sua trajetória de viver mais em prol dos outros do que de si próprio.
        Quando deixou o Grupo Espírita da Prece mais aclamação do público, num momento em que uma bela lua cheia no horizonte completava a homenagem e parecia também saudá-lo. Obrigada Chico pela felicidade de conviver com sua energia. Você que agora é luz plena, em algum lugar deste imenso Universo!
 
Comitiva da PB com os Eurípedes: Tahan (médico de Chico) e Higino (o filho)

                          ANTES DE CHEGAR À UBERABA
 
 No aeroporto de Belo Horizonte encontramos  
a dupla Pedro e Tiago e aí está o registro

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Espiritualidade fará parte de histórico médico daqui a alguns anos, afirma especialista

Há algum tempo, hospitais e médicos vêm utilizando a espiritualidade como aliado no processo de cura do paciente. Apesar de ser um assunto polêmico, muitos pesquisadores já apontam um papel positivo da espiritualidade e religiosidade em doenças coronarianas, hipertensão arterial, ansiedade, depressão, função imune e mortalidade em geral.

“De uma maneira geral, as pessoas interpretam todos os acontecimentos de sua vida sob uma visão espiritual e conhecer e respeitar esta interpretação é de grande ajuda para o doente e para o profissional que o assiste”, acredita Islan Nascimento, otorrinolaringologista e presidente da Associação Médico-Espírita da Paraíba.

Segundo ele - que coordenará um encontro sobre o assunto a partir desta quinta-feira (7) - o tema vem ganhando cada vez mais destaque. Para se ter uma ideia, de 1980 a 1982 o tema foi pesquisado e publicado em 101 artigos de revistas indexadas. De 2003 a 2005, foram 1,8 mil. Desde 2000, foram quase três mil artigos. “A medicina é baseada em pesquisas. Há 20 anos, ninguém questionava o paciente sobre seu histórico sexual. O tema era visto como algo particular. Hoje, é procedimento-padrão. Daqui a 20 anos isso acontecerá com a espiritualidade, que vem conquistando espaço nos consultórios e até na vida de artistas", complementa Islan Nascimento.

É o caso, por exemplo, do ator Reynaldo Gianecchini. Na luta contra um câncer linfático, o ator global decidiu aliar o tratamento convencional ao espiritismo, e parece não ter se arrependido. Em várias entrevistas concedidas, Reynaldo Gianecchini afirmou que o procedimento o deu forças para lutar pela cura, com tranquilidade.

E o ator não está sozinho neste pensamento. Segundo a revista Veja, cerca de 80% de pacientes vítimas de câncer no Brasil, recorrem a medicinas alternativas, geralmente ligadas à religiosidade, para complementar o tratamento alopático.

"Os dados são reais, mas só recentemente a medicina passou a reconhecer a existência de tais práticas", afirma Islan Nascimento, antes de concluir: "Existem estudos comprovando que a fé tem efeitos positivos na saúde das pessoas. Esses pacientes se sentem mais otimistas em relação ao sucesso dos tratamentos convencionais e, assim, além de se cuidarem mais, eles colaboram mais com os médicos. O objetivo é sempre usar o melhor da medicina convencional e o melhor da medicina complementar em defesa do doente".

Encontro nesta quinta abordará saúde e espiritualidade

Deixando de ser apenas "teoria" para se tornar realidade, a espiritualidade no processo de cura virou assunto sério nos consultórios e até de encontros científicos. A exemplo do 7º Encontro das Associações Médico-Espírita do Norte e Nordeste (Encontrame), que será realizado em João Pessoa, entre quinta e sábado desta semana, na Federação Espírita da Paraíba, na Torre.

Voltado para médicos, estudantes e profissionais de saúde e aberto ao público em geral, o encontro trará à capital paraibana, a presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil e Internacional, Marlene Nobre. A médica, que trabalhou com o médium Chico Xavier, ministrará a palestra de abertura do evento (Atualidade Científica na obra psicográfica de Chico Xavier), às 20h30.

Durante os dias do evento, especialistas da Paraíba, Pará, Ceará, Alagoas, Pernambuco, Piauí, Minas Gerais e São Paulo abordarão assuntos relativos ao tema central: "Saúde, Ciência e Espiritualidade". Entre eles, aborto do anencéfalo, células-tronco, Experiência de Quase Morte e Transtorno Bipolar.

ATIVIDADES PARALELAS

Paralelamente ao Encontro também serão realizados a 2ª Jornada Médico-Espírita Paraibana e o 1º Encontro Acadêmico em Saúde e Espiritualidade. Na ocasião, alunos universitários poderão apresentar trabalhos científicos sobre o tema. Os melhores trabalhos serão publicados na revista do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

O 7º Encontro das Associações Médico-Espíritas do Norte e Nordeste está sendo promovido pela Associação Médico-Espírita da Paraíba e pela Associação Médico-Espírita de Campina Grande, em parceria com a Unimed JP e com outras instituições do Estado.

Mais informações podem ser obtidas no blog da AME-PB (http://amepb.blogspot.com.br/).

Assessoria