terça-feira, 22 de maio de 2012

O dinheiro na Casa Espírita

Wellington Balbo

Se há um assunto ainda melindroso, um autêntico espinho para nós espíritas é o tema dinheiro.

Temos sérias dificuldades em lidar com questões pecuniárias.Parece-nos que o dinheiro é algo sujo, pecaminoso e que macula a figura de quem dele se serve.

No entanto, a bem da verdade é que o dinheiro é neutro, ou,melhor dizendo, uma ferramenta para fazer com que as coisas aconteçam.

Logo está subordinado ao destino que lhe empregam. Se o utilizam para o mal ou para o bem a culpa não é dele – do dinheiro – mas, sim, de quem fez seu uso. É a mão do homem que suja ou limpa e não o objeto em si. Mas qual a razão de ainda termos dificuldades em lidar com o dinheiro? Será que já paramos para promover esta reflexão íntima? Pode ser, quem sabe, que nosso modelo mental esteja obsoleto, ultrapassado e ainda vejamos no papel moeda uma autêntica tentação à moral e ética. Porém, reflitamos:

Quem paga as contas de luz e água da Casa Espírita? Os funcionários, quando esta os tem? Quem paga as despesas com limpeza e tantas outras que bem o sabemos existem? Dirão alguns: Daí de graça o que de graça recebestes. Excelente!

Jamais o centro espírita irá cobrar por reunião mediúnica, passe, atendimento fraterno e etc. Todavia, sejamos sensatos: É necessário dinheiro para pagar as despesas acima! Seria justo apenas alguns colaboradores doarem? Seria justo usufruirmos de todos os benefícios que recebemos sem ao menos cogitarmos de colaborar financeiramente com qualquer quantia? Por favor, não digam que estou querendo manchar a Casa Espírita ou impor valores instituindo o dízimo. Não merefiro a dízimo. Nada disso!

Falo de bom senso. O bom senso de sabermos que é de bom tom colaborar para que as coisas aconteçam, porquanto, quer queiramos ou não, o dinheiro é necessário para a manutenção e ampliação das atividades de qualquer Casa Espírita.

Obviamente que não me refiro àqueles que passam por dificuldades financeiras. Falo de bom senso, apenas isso! Questionarão alguns: Mas já dou minha colaboração na Casa Espírita e ainda preciso colaborar financeiramente? Não se trata disso, caro leitor. Você não precisa nada, se não quiser ninguém lhe obrigará a dar um centavo na Casa Espírita. Falo, repito, debom senso, apenas isso! A demais não é a Casa Espírita que precisa de nós, ao contrário, somos nós quem precisamos da Casa Espírita e dos trabalhos que ela desenvolve para que mantenhamo-nos sempre trabalhando e dispostos a evoluir.

No entanto, para não me alongar demais neste texto, convido todos nós a reflexões:

Como enxergamos o dinheiro? Algo sujo, pecaminoso e que não pode se envolver em assuntos “espirituais”, leia-se aqui Casa Espírita? Ou o vemos como uma ferramenta para promover o progresso humano na Terra? Como estamos lidando com esta questão? Que tal chacoalharmos os neurônios e indagarmos nossos próprios modelos mentais?

Pensemos nisso.


Artigo publicado originalmente no Site da Fundação Espírita André Luiz (FEAL)

domingo, 20 de maio de 2012

O espírita ante a política

Christiano Torchi
 Em sentido lato, a política se entrecruza com várias outras ciências, entre elas a Filosofia, a História, a Economia, o Direito... Entretanto, é com a Sociologia que ela possui laços mais estreitos, visto que tem seu nascedouro na própria sociedade. Segundo essa visão, inspirada em Aristóteles, o homem é um animal social e político. Herança da Grécia antiga, berço da democracia, o termo política deriva-se do grego politikós, alusivo às antigas cidades gregas organizadas (pólis), que teriam dado origem ao modelo de vida urbano contemporâneo, onde os homens se aglomeram em busca da sobrevivência e do progresso, sujeitando-se a uma administração pública regulada por normas coletivas de convivência.

Na Idade Média, Tomás de Aquino (1225-1274) já preconizava que a finalidade da política é o bem comum. Modernamente, a política é designada como a “Ciência do Estado”, podendo ser definida como a arte de governar. Sob esse prisma, ela será sempre o exercício de alguma forma de poder. Quando utilizada corretamente, gera bem-estar e prosperidade, bem assim contribui para a manutenção da paz e da ordem. O Espiritismo abrange todas as áreas do conhecimento, sob tríplice aspecto: científico, filosófico e religioso, razão pela qual não está alheio à Ciência política ou a qualquer outro ramo do conhecimento humano. Todavia, o Espiritismo não tem por missão específica fazer reformas sociais, mas, pela amplitude dos seus ensinamentos, é a doutrina mais apta a coadjuvar tais reformas, à medida que influencia a sociedade, estimulando o aprimoramento moral, sem que seja preciso acumpliciar-se com a política partidária, em contradição com o caráter laico1 do Estado:

[...] A missão da doutrina é consolar e instruir, em Jesus, para que todos mobilizem as suas possibilidades divinas no caminho da vida. Trocá-la por um lugar no banquete dos Estados é inverter o valor dos ensinos, porque todas as organizações humanas são passageiras em face da necessidade de renovação de todas as fórmulas do homem na lei do progresso universal, depreendendo-se daí que a verdadeira construção da felicidade geral só será efetiva com bases legítimas no espírito das criaturas.2

A seu turno, qual seria a missão dos espíritas, enquanto homens no mundo? Sem embargo da tarefa de divulgação e da vivência dos princípios da Doutrina Espírita, ela é a mesma de qualquer indivíduo, religioso ou não, como elucidam os Espíritos na primeira obra básica. Consiste “em instruir os homens, em ajudá-los a progredir, em melhorar suas instituições, por meios diretos e materiais”.3 Nesse contexto, será mesmo útil e necessário, para que o Espiritismo cumpra sua missão, a politização do Movimento Espírita, como defendem alguns? Parece-nos equivocada a ideia de que o Movimento Espírita careça de engajar-se na militância política, fundando partidos ou organizando bancadas, como forma de se fazer representar perante os poderes constituídos, com o objetivo de divulgar, oficialmente, os seus princípios, colaborando, assim, com a reforma social, no combate às mazelas sociais.

De má lembrança são as conspurcações que o movimento cristão primitivo sofreu (e que o Espiritismo intenta restaurar na atualidade), sobretudo a partir do século III, momento em que se deixou seduzir pela política de Roma, cujo império estertorava graças aos abusos da governança. É óbvio que o espírita, individualmente, não está impedido de exercer a política. Se tiver vocação para isso e for chamado para essa tarefa, deve atender ao clamor de sua consciência e procurar exercê-la com dignidade, como fizeram tantos outros espíritas, por exemplo, Bezerra de Menezes, Eurípedes Barsanulto, Cairbar Schutel e José de Freitas Nobre. Se isso vier a acontecer, espontaneamente, que jamais nos apartemos das diretrizes traçadas por André Luiz, que nos alerta sobre as tentações e os perigos de confundirmos “os interesses de César com os deveres para com o Senhor”.4

Diante disso, não é recomendável que os políticos, simpatizantes ou adeptos do Espiritismo, façam da tribuna espírita um palanque. Jesus, nosso guia e modelo, quando esteve entre nós, jamais postulou ou se valeu do poder político estatal para pregar a implantação do “Reino de Deus” na Terra. Não é a Doutrina Espírita que precisa da política e sim a política que precisa do Espiritismo. Isto é, progredindo moralmente, por influência do Espiritismo, a sociedade prepará, de forma natural, bons políticos e até estadistas para atuarem nas instituições públicas:

O discípulo sincero do Evangelho não necessita respirar o clima da política administrativa do mundo para cumprir o ministério que lhe é cometido. O Governador da Terra, entre nós, para atender aos objetivos da política do amor, representou, antes de tudo, os interesses de Deus junto do coração humano, sem necessidade de portarias e decretos, respeitáveis embora. Administrou servindo, elevou os demais, humilhando a si mesmo.
Não vestiu o traje do sacerdote, nem a toga do magistrado. Amou profundamente os semelhantes e, nessa tarefa sublime, testemunhou a sua grandeza celestial. Que seria das organizações cristãs, se o apostolado que lhes diz respeito estivesse subordinado a reis e ministros, câmaras e parlamentos transitórios? [...]5

Por isso mesmo, “Deus confere a autoridade a título de missão, ou de prova, quando julga conveniente, e a retira quando bem o entende”.6 Emmanuel, tal qual André Luiz, também abordou essa questão delicada. Respondendo à pergunta: “Como se deverá comportar o espiritista perante a política do mundo”,7 aconselhou:

– O sincero discípulo de Jesus está investido de missão mais sublime, em face da tarefa política saturada de lutas materiais. Essa é a razão por que não deve provocar uma situação de evidência para si mesmo nas administrações transitórias do mundo. E, quando convocado a tais situações pela força das circunstâncias, deve aceitá-las não como galardão para a doutrina que professa, mas como provação imperiosa e árdua, onde todo êxito é sempre difícil. O espiritista sincero deve compreender que a iluminação de uma consciência é como se fora a iluminação de um mundo, salientando-se que a tarefa do Evangelho, junto das almas encarnadas na Terra, é a mais importante de todas, visto constituir uma realização definitiva e real. 
Não devemos pedir ao Espiritismo o que ele não nos pode dar.8 A estratégia equivocada de Judas que, embora bem intencionado, pretendia utilizar a política terrena, para acelerar o processo de implantação do Evangelho na Terra, é uma advertência perene a todos nós, pois “as conquistas do mundo são cheias de ciladas para o espírito e, entre elas, é possível que nos transformemos em órgão de escândalo para a verdade que o Mestre representa”.9 A Humanidade progride por meio dos indivíduos, que se melhoram pouco a pouco. É pelo desenvolvimento moral que se reconhece uma civilização completa.
Os povos que só vivem a vida do corpo, cujo poder se baseia apenas na força e na extensão territorial, um dia fenecerão, pois a vida da alma prevalece sempre: [...] Aqueles cujas leis se harmonizam com as leis eternas do Criador, viverão e servirão de farol aos outros povos.10
Todos podemos contribuir com nossa parte para acelerar as esperadas mudanças sociais: “A responsabilidade pelo aperfeiçoamento do mundo compete-nos a todos”.11 O Espiritismo não depende da política terrena para atingir seus fins. Triunfará, porque se funda nas leis naturais, sem que seja necessário violentar a consciência dos incrédulos. Deus não conduz o homem por meio de prodígios, mas deixa que tenha o mérito da própria conquista, que se dará, mais cedo ou mais tarde, pelo convencimento da razão. Que estas breves reflexões fortaleçam a esperança de todos os que mourejam na seara espírita, para que o Brasil consiga realizar a missão redentora da qual é depositário. Mais importante que as colossais riquezas naturais do seu vasto território é a imensa diversidade racial, social e religiosa de seu povo. Se soubermos vivenciar o Evangelho, conforme Jesus ensinou, inevitavelmente faremos jus à vocação assinalada pelos Espíritos superiores de “coração do mundo, pátria do Evangelho”.

Referências: 
1Estado laico não é o mesmo que Estado ateu.Mantém neutralidade em matéria confessional, não adotando nem perseguindo nenhuma religião (ver Preâmbulo e art. 19 da Constituição Federal brasileira).
2XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 5. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Q. 60.
3KARDEC,Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Q. 573.
4VIEIRA, Waldo. Conduta espírita. Pelo Espírito André Luiz. 31. ed. 4. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 10, p. 46.
5XAVIER, Francisco C. Vinha de luz. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 59, p. 137.
6KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 17, it. 9, p. 346.
7XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 5. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Q. 60.
8KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. 2. ed. esp. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Pt. 2, cap. 27, it.303, subit. 1, p. 476.
9XAVIER, Francisco C. Boa nova. Pelo Espírito Humberto de Campos. 3. ed. 5. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 24, p. 200.
10KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Q. 788.
11XAVIER, Francisco C. Libertação. Pelo Espírito André Luiz. 31. ed. 4. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 3, p. 46.



Extraído da Revista Reformador

terça-feira, 15 de maio de 2012

Entrevista de Fátima Farias ao jornalista Orson Carrara, editor do portal O Consolador

Confira na íntegra
Fátima Farias: 
“A vida é um perene aprendizado” 
A jornalista paraibana fala sobre o movimento espírita na Paraíba
e suas atividades na divulgação espírita
 
 

Maria de Fátima Farias (foto), mais conhecida no meio espírita como Fátima Farias, natural de Boa Vista-PB e há 33 anos radicada na cidade de João Pessoa, capital da Paraíba, é bacharel em Comunicação Social pela UFPB, com formação em Jornalismo e Relações Públicas.
Espírita desde 1994 e autora do livro “Encontro com Consciências – diálogo da unidade com a diversidade”, Fátima faz parte da equipe dirigente da Federação Espírita Paraibana, em que exerce o cargo de Assessora de Comunicação Social e vice-diretora do Depto. de Divulgação
Doutrinária.  
Na entrevista que gentilmente nos concedeu, ela fala sobre suas atividades e o movimento espírita paraibano.

Faça um perfil do movimento espírita na Paraíba.
Cada vez mais crescente, tanto em quantidade, mas, sobretudo, e o melhor, em qualidade.  Os longos mandatos dos presidentes da Federação Espírita Paraibana (em 96 anos foram apenas sete) têm favorecido toda a pavimentação do positivo panorama atual. Acredito que a ininterrupção, de certa forma, facilitou o progresso das ações. Cada um contribuindo para semear o que temos hoje. A trajetória está pontilhada por fatos interessantes. Estes detalhes podem ser conferidos no portal www.fepb.org.br, no link que trata da história da FEPB e nos perfis dos presidentes.
Em seu trabalho de divulgação espírita, o que mais lhe chama a atenção?
É a ausência de preconceito e a receptividade dos meus colegas jornalistas, tanto no sentido de repercutir as notícias quanto de me procurar, no convívio diário da Redação, para conversar ou obter maiores esclarecimentos sobre a Doutrina Espírita. Nunca enfrentei dificuldades para abrir e conquistar espaços. Aliás, divulgar a mensagem espírita é muito fácil, porque, por si só, ela desperta interesse e atrai a atenção de leitores, ouvintes e espectadores.

De que modo as entrevistas que tem tido oportunidade de preparar chamaram a atenção do público?
Entrevistei Divaldo Franco várias vezes, o neurofísico francês Patrick Drouout, o pastor Nehemias Marien, o arcebispo Dom Aldo Pagotto, os artistas Nando Cordel e Paulo Figueiredo, só para citar alguns. Pois bem, as pessoas que não liam o jornal no dia, mas que ouviam comentários da repercussão positiva, me solicitavam cópias da entrevista. Foi quando decidi reuni-las no livro “Encontro com Consciências – diálogo da unidade com a diversidade”, que reúne entrevistas com diversas personalidades. Proporciona ao leitor uma visão sobre a consciência atual e evolutiva do ser, num cunho ecumênico. Contém abordagens sobre ciência, filosofia, religião, arte e cultura.
Na elaboração de matérias, quais foram as mais marcantes?
A primeira foi sobre o Museu das Almas do Purgatório em Roma, cujo acervo legitima a comunicação de Espíritos na própria Igreja. O fato é que o parapsicólogo baiano Clóvis Nunes foi entrevistado no programa Fantástico, do dia 28 de outubro de 2001, sobre o assunto, por acompanhar a reportagem in loco. O detalhe é que ele me concedeu um furo, numa entrevista de página inteira, inclusive com chamada na capa, intitulada “Espíritos se comunicam na Igreja”, publicada no mesmo domingo. E assim os leitores do jornal O Norte conheceram as novidades logo cedo, enquanto os telespectadores só conferiram no final da noite. Outra matéria, que considero a mais marcante  da minha carreira, foi a reportagem sobre Chico Xavier. Tive a felicidade de passar a Semana Santa de 2002 hospedada em sua residência e participar das comemorações do seu último aniversário entre nós – 92 anos. Três meses depois ele deixou este planeta. Este foi um grande presente que recebi de minha amiga Lisle Lucena, que há vários anos desfrutava da amizade daquele ser especial e costumava ser sua hóspede. Cada vez que relembro daqueles dias e convívio com aquela energia tão salutar e indescritível – modelo do Cristianismo – ainda me emociono. Sinto-me privilegiada e gratificada! A reportagem completa está no final do meu livro. 
Como tem sido sua atuação na mídia espírita, especificamente?
Já participei de vários sites e colaboro com as revistas Tribuna Espírita e a Revista Internacional do Espiritismo. Recentemente inaugurei o blog  www.horizontes-fatimafarias.blogspot.com. É um espaço, como o próprio nome já sugere, onde abordarei os mais diversos assuntos voltados para temáticas ligadas a notícias do Bem, que favoreçam a difusão de aspectos artístico-culturais e a qualidade de vida, sobretudo à consciência atual e evolutiva do ser. 
Fale-nos algo sobre a programação da Federação Espírita da Paraíba.
Todos os departamentos estão em plena efervescência de ações, em todas as vertentes: cursos, assistência social, atendimento fraterno e mediúnico, infância e juventude. Na área de Comunicação Social e Divulgação Doutrinária, têm-se conquistado excelentes espaços na mídia, especialmente para difundir os eventos e esta avalanche de filmes espíritas, tem-se encartado diversos suplementos em jornais dominicais. Agora, um dos pontos altos para massificar a mensagem espírita é o projeto “Divulgando a imortalidade”, que acontece no período de Finados, com faixas e distribuição de mensagens nos cemitérios da capital e de diversos municípios.
Na capital e interior, a Doutrina Espírita igualmente tem despertado
interesse e busca por livros, estudos e cursos? Como tem sido a preparação  para essa nova fase de divulgação espírita no Estado?
A gestão do presidente José Raimundo de Lima contribuiu bastante para a expansão da mensagem espírita na Paraíba. Houve ampliação no número de centros espíritas, tanto na capital quanto no interior, além de um maior intercâmbio com a implantação de polos e coordenadorias regionais. A Federação Espírita da Paraíba (FEPB), inserida no contexto nacional da Federação Espírita Brasileira, dissemina todas as diretrizes federativas para viabilizar o máximo de potencial que contemple o estudo, a divulgação e o atendimento, à luz da Doutrina Espírita.
A confortável sede da FEPB propicia espaço muito favorável para eventos doutrinários. Comente sobre os eventos de caráter estadual utilizando a citada sede.
A mudança da sede para um espaço maior foi fundamental para a expansão das atividades e um melhor atendimento ao público: livraria ampla e com um acervo sortido, salas amplas para os cursos. Temos um centro de convenções, sendo o auditório maior com capacidade para mais de 800 pessoas, climatizado e com cadeiras confortáveis. Para se ter uma ideia da demanda do público, nas duas recentes visitas de Divaldo Franco foi preciso providenciar telão para acolher o público.
Deixe-nos uma mensagem final.
Acho que ainda tenho muito o que aprender, porque a vida é um perene aprendizado, para se burilar nossas imperfeições. Deus é uma luz e a energia que busco, no sentido de me nortear e fortalecer. E, assim, a mensagem em que mais o identifico é assinada por Léon Denis: ‘Tende como templo o Universo, como altar a consciência, como lei a Caridade, como imagem Deus’. Por fim, sou muito grata pela oportunidade de me fazer vivenciar a troca de papéis, de entrevistadora a entrevistada.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Acréscimo de misericórdia

“Procurai primeiramente o Reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo.” (Mateus, 6:33; Lucas, 12:31.)

Clara Lila Gonzales de Araújo
É possível aquilatar a extensão das bênçãos que dimanam da misericórdia de Deus? Sabemos avaliar a amplitude das oportunidades que nos chegam, exercitando o amor ao próximo e incumbindo-nos de aplicar hoje o tempo, a energia e os esforços que desperdiçamos outrora? De acordo com o versículo acima, os resultados surgidos das conquistas de valores espirituais nos permitem receber, por acréscimo da generosidade divina, múltiplos ensejos de bem realizarmos iluminadas atividades, que procuramos vivenciar em meio a júbilos de esperança e paz. Essas manifestações, em forma de pensamentos, de conversações, de hábitos, de conduta, mercê da aquisição de ideais superiores, são propósitos que se exprimem em atos de caridade legítima, levando-nos a sentir a presença de Deus em nós e descobrindo o seu verdadeiro Reino. Entretanto, tornar-se espírita não é santificar-se de um momento para o outro, além de não significar privilégio, dadas as condições da justiça superior, que se manifesta em nós como consequência da lei de causa e efeito, mesmo considerando as lutas difíceis que travamos durante anos de dedicação e serviço em favor do Espiritismo. 

Constantino, Espírito protetor, na mensagem inserida em  O Evangelho segundo o Espiritismo, afirma, terminante: Bons espíritas, meus bem-amados, sois todos obreiros da última hora. Bem orgulhoso seria aquele que dissesse: Comecei o trabalho ao alvorecer do dia e só o terminarei ao anoitecer. Todos viestes quando fostes chamados, um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, para a encarnação cujos grilhões arrastais; mas há quantos séculos e séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que quisésseis penetrar nela! Eis-vos no momento de embolsar o salário; empregai bem a hora que vos resta e não esqueçais nunca que a vossa existência, por longa que vos pareça, mais não é do que um instante fugitivo na imensidade dos tempos que formam para vós a eternidade.1
 
Urge, desse modo, perseverar no trabalho a fazer, tendo a necessária paciência, sobretudo, ao enfrentar os rudes resgates que porventura surjam frente às surpresas da marcha existencial, sem nos entregarmos ao desânimo. Determinados companheiros espíritas não aceitaram essa realidade, deixando de alcançar planos mais elevados no cumprimento de suas tarefas e abandonando a esfera de lutas enobrecedoras. Sentiram-se inconformados, em meio às provações, por não terem seus desgostos diminuídos, sem aproveitar da aplicação dos ensinamentos doutrinários para melhor compreender a equidade divina, esquecendo-se de que, ao sofrermos os prejuízos de nossos erros, “por infinita misericórdia, devemos ter que Deus não é inexorável, deixando sempre viável o caminho da redenção”.2 Allan Kardec faz excelente análise sobre as implicações das penas futuras segundo o Espiritismo, advertindo: [...] todos têm o mesmo ponto de partida e nenhum se distingue em sua formação por melhor aquinhoado; nenhum cuja marcha progressiva se facilite por exceção: os que chegam ao fim, têm passado, como quaisquer outros, pelas fases de inferioridade e respectivas provas. [...] Todos somos livres no trabalho do próprio progresso [...]. O romeiro que se desgarra, ou em caminho perde tempo, retarda a marcha e não pode queixar-se senão de si mesmo.3 [...] Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade. A cada um segundo as suas obras, no Céu como na Terra: – tal é a lei da Justiça Divina.4
 
A disposição sincera de servir ao semelhante, que empreende-mos na labuta junto à seara de Jesus, procurando evoluir de forma perseverante, nos faz superar os padecimentos como meio de sanar os erros morais que cometemos em existências pregressas. Assim agindo, angariamos a simpatia dos Espíritos superiores que nos concedem amparo para concretização das inúmeras possibilidades que a prática do Espiritismo oferece, fortalecendo-nos e iluminando-nos para o futuro, devidamente elucidados pelo conhecimento espírita. Deus, pois, não cria seres privilegiados, mas “fez da felicidade o prêmio do trabalho e não do favoritismo, para que cada um tivesse seu mérito”.5 O Espírito Emmanuel faz referência às circunstâncias em que desencarnaram muitos dos grandes vultos da Humanidade, após a vivência de desmedidas agruras, como pessoas que foram: exiladas, trucidadas, ludibriadas, famintas, enfermas, perseguidas, endividadas, paupérrimas, indigentes, guilhotinadas, em penúria extrema, assassinadas etc., além das que viveram menos penosamente, mas não deixaram de enfrentar duras provas. Trata-se de um alerta para os infortúnios e reveses terrenos que parecem absurdos de serem experimentados por criaturas reconhecidamente valiosas e que contribuíram para o progresso do mundo. Nesse sentido, conclui o eminente mentor espiritual: [...] é forçoso reconhecer que passaram, entre os homens, também sofrendo e lutando, junto à bigorna do trabalho constante. Cada consciência é filha das próprias obras. Cada conquista é serviço de cada um. Deus não tem prerrogativas ou exceções. Toda glória tem preço. É a lei do mérito de que ninguém escapa.6
 
Certamente, a advertência do generoso Emmanuel é para avivar, principalmente, a vigilância dos espíritas que, ao se defrontarem com os infindáveis problemas a vencer, sobretudo na hora crucial do testemunho, se não tiverem aproveitado os conhecimentos doutrinários apreendidos, sabendo empregá-los em todos os momentos terrenos para fortalecimento do Espírito, de nada valerão os esforços que desenvolverem em benefício da Doutrina, por falta de méritos conquistados no caminho da legítima redenção de si mesmos. O Espiritismo convida-nos a seguir no rumo certo ao destacar que as verdadeiras ideias a serem cultivadas pelos homens, devem estar em completa sintonia com os princípios lidimamente cristãos. Em visita à “Mansão Paz”, escola espiritual luminosa, que permanece sob a jurisdição de “Nosso Lar”, os Espíritos Hilário e André Luiz são esclarecidos por seu diretor Druso sobre o atendimento aos Espíritos que ali aportam, necessitados e infelizes, mas decididos a trabalhar pela própria regeneração, conseguindo compreender a “importância da existência carnal, como sendo verdadeiro favor da Divina Misericórdia”7 e do esforço a ser despendido para se adaptarem aos mecanismos da imprescindível Justiça. Druso, no entanto, reforça o valor da súplica, para que, ao encarnarem, não percam o ensejo de melhoria espiritual:
– A prece, no sentido a que aludimos, é sempre um atestado de boa vontade e compreensão, no testemunho da nossa condição de Espíritos devedores... Sem dúvida, não poderá modificar o curso das leis, diante das quais nos fazemos réus sujeitos a penas múltiplas, mas renova-nos o modo de ser, valendo não só como abençoada plantação de solidariedade em nosso benefício, mas também como vacina contra a reincidência no mal. [...] a prece faculta-nos a aproximação com os grandes benfeitores que nos presidem os passos, auxiliando-nos a organização de novo roteiro para a caminhada segura.8
 
A melhor forma de orar é a que se traduz em trabalho, integrando-nos aos planos da Providência.O espírita consciente não é simples detentor de conhecimentos doutrinários, apenas pelo puro prazer intelectual. Sabe que problemas advirão, de acordo com a responsabilidade de agir dignamente diante das leis divinas; topará com o “orgulho, o egoísmo, a ambição, a cupidez, o fanatismo cego, os quais, levados às suas últimas trincheiras, tentam barrar-lhe o caminho e lhe suscitam entraves e perseguições”.9 Essas lutas, no entanto, são de ordem moral e haverão de ser vencidas, passo a passo, por acréscimo de misericórdia do Pai Amantíssimo e de Jesus, Excelso Condutor de nossas almas, cuja aplicação de seus ensinamentos permite construir o Reino de Deus em nós.
 
Referências:
1 KARDEC, Allan.  O evangelho segundo o espiritismo . Trad. Guillon Ribeiro. 130. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 20, it. 2.
2 ______.  O céu e o inferno . Trad. Guillon Ribeiro. 2. ed. esp. 2. reimp. Rio de Janei-ro: FEB, 2011. P. 1, cap. 7, it. Código pe-nal da vida futura, subit. 29.
3 ______. ______. Subit. 32.
4 ______. ______. Subit. 33.
5 ______. ______. Subit. 32.
6 XAVIER, Francisco Cândido. Justiça divina. Pelo Espírito Emmanuel. 13. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Lei do Mérito, p. 121-123.
7 ______.  Ação e reação. Pelo Espírito André Luiz. 2. ed. esp. 2. reimp. Rio de Ja-neiro: FEB, 2010. Cap. Ante o Centenário.
8 ______. ______. Cap. 19, p. 280.
9 KARDEC, Allan.  O evangelho segundo o espiritismo . Trad. Guillon Ribeiro. 130. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 23, it. 17.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Bater ou não bater, eis a questão

Wellington Balbo

Com ou sem palmada educar os filhos é a missão primordial dos pais. Há os que defendem a palmada como forma de educar alegando que as receberam e são pessoas de bem, e há os que defendem a posição de que para educar não é preciso dar palmada. Eu, por exemplo, tomei palmadinhas e palmadões e ainda assim fiz muita besteira nesta vida.

Em meu caso não sei se as palmadas resolveram muita coisa.

A verdade é que hoje as palmadas estão saindo de moda. Poucos pais a utilizam para educar. No entanto, saiu a palmada e entrou em ação a permissividade. Tudo pode, tudo vale. É proibido proibir os filhos. Atualmente os pais permitem muito e cobram pouco. E como cobram pouco, quando cobram geralmente os filhos torcem o nariz para pagar. Óbvio, não estão acostumados.

A chamada geração Z está crescendo muito mimada e sem ideia de responsabilidade, entretanto não quero generalizar. Se você é um pai ou mãe que consegue impor limites aos filhos, ensiná-los a como gastar, ou, melhor dizendo, a como não gastar o seu dinheiro, a apreciar o estudo e respeitar o semelhante está no caminho certo.

Outro dia presenciei uma cena muito interessante do Gustavo, um velho amigo. A filha, uma adolescente de 15 anos queria ir a um baile com as amigas. O Gustavo, sempre reticente quando a questão se refere a balada, disse à filha que ela não iria ao baile. Mas ela teimou, insistiu, a mãe entrou no meio da conversa pra negociar e por fim chegou o exército muito bem armado: as amigas da filha do Gustavo implorando para que ele deixasse a garota ir ao baile. “Deixa, tio, por favor” – pediam as meninas com aquela voz manhosa.

E após muita conversa e negociação ficou decidido o seguinte: Gustavo cederia e deixaria a garota ir ao baile, porém... ah, porém, sempre ele no meio, a filha deveria apresentar o boletim no 4 bimestre, (aquele bimestre que muitos alunos costumam desprezar por já terem fechado as notas), com a média acima de 7,0. Caso isso não ocorresse a garota passaria toda a época de férias sem poder sair de casa e estudando. A menina, com a irreverência própria dos adolescentes, afirmou empolgada: “Tirar 7,0 na escola é mamão com açúcar! Puxa, pai, o senhor nem exigiu muito!” E Gustavo respondeu: “É para você poder pagar, minha filha!” Prevenido como todo pai Gustavo escreveu documento de próprio punho para que a filha assinasse e então selassem o acordo. E assim foi feito. Papel assinado e meninas contentes. A filha de Gustavo saiu aquela noite.

E os dias transcorreram tranquilamente até que chegou o momento de pagar a fatura, ou seja, da filha mostrar o boletim ao pai. Era uma sexta feira. Gustavo pediu o boletim e para sua surpresa não havia açúcar naquele mamão, mas, sim, sal. A filha não cumprira com o combinado e as notas estavam bem abaixo do medíocre 7,0 acertado dias atrás. Em poucas horas lá estavam as amigas da filha de Gustavo pedindo a ele para que cedesse e deixasse a garota ir ao shopping. Ele apenas retirou de seu bolso o documento assinado pela filha e mostrou para todas elas dizendo: “ Eis o documento, eu cumpri com a minha parte no combinado, agora, minha filha, é a sua vez!”.

A garota, inconformada, redargüiu: “Mas pai, terei que ficar em casa estudando as férias inteiras?” E Gustavo arrematou sem palmadas: “Exatamente, minha filha, o que é combinado não é caro”. E, virando-se para as amigas de sua filha pediu licença para que a sua menina pudesse começar em breves minutos a estudar Geometria.

Gustavo não bateu, mas também não foi permissivo. Será que educou?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Enesp atrai público variado


Enesp atrai público variado
O Encontro Espírita Paraibano (Enesp), realizado no período do Carnaval, na Federação Espírita Paraibana, reuniu um público variado, formado por adultos, jovens e crianças, além de palestrantes de diversos estados.
mesa_enesp.jpg
O tema central foi pautado numa abordagem bastante atualizada: ‘Jesus e a família na Transição Planetária’, que fazendo um link destacou os seguintes temas: A família com Jesus, A geração nova e a transição planetária, Transição planetária: abordagens e visões de autores espirituais, Família com Jesus: necessidade da nova era, Família: encontros e desencontros, Jesus no epicentro da transição.
Haroldodutra.jpg Eden_Lemos.jpg Marcelo.jpeg Orson_1.jpg Celestino.jpg Suely.jpeg
Intercalando com palestras de Haroldo Dutra (MG), Éden Lemos (RN), Marcelo Mota (PE), Orson Carrara (SP), Severino Celestino e Suely Cavalcanti (PB), houve diversas apresentações artístico-culturais e recreativas. O Enesp teve programação especial para a juventude (Enesp Jovem) e crianças (Enespinho).

Texto: Fátima Farias – Ascom/FEPB
Fotos: Orlando Jorge
Orson.jpg.JPG publicofrente.jpg.JPG
                                       Orson Carrara entrevistado sobre Mediunidade
Já após o encerramento do Enesp, na quarta-feira (23) à noite, cerca de 150 pessoas participaram de um encontro com Orson Carrara. Na ocasião ele falou sobre a mediunidade. O público, a seguir, realizou perguntas, no estilo “pinga-fogo” sobre o assunto.
Orson Carrara, residente em Matão (SP), participou da programação do Enesp e Miep. Ele é escritor de dez livros mais dois no prelo, é articulista de vários órgãos da imprensa espírita brasileira e internacional, além de atuar como palestrante em todo país. Atualmente edita uma revista eletrônica, que pode ser conferida no site www.oconsolador.com
Texto e fotos: Fátima Farias – Ascom/FEPB

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

‘Jesus e a família na Transição Planetária’ é tema de encontro no Carnaval

‘Jesus e a família na Transição Planetária’ é tema de encontro no Carnaval
Pessoas avessas aos festejos de momo poderão aproveitar a oportunidade para momentos de reflexão e ouvir palestras com oradores de diversos estados. A Federação Espírita Paraibana realizará o Encontro Espírita Paraibano (Enesp), que acontecerá de 18 a 21 de fevereiro, no Auditório da instituição.
O Enesp, que terá como tema central “Jesus e a família na transição planetária” constará de conferências, palestras, oficinas, atividades artístico-culturais e recreativas, além do Enesp Jovem e Enespinho para crianças.
Serão conferencistas: Haroldo Dutra (MG), Éden Lemos (RN), Marcelo Mota (PE), Orson Carrara (SP), Severino Celestino e Suely Cavalcanti (PB).
Os temas abordados, além do central, serão os seguintes: A família com Jesus, A geração nova e a transição planetária, Transição planetária: abordagens e visões de autores espirituais, Família com Jesus: necessidade da nova era, Família: encontros e desencontros, Jesus no epicentro da transição.
As inscrições encontram-se abertas na FEPB (av. Bento da Gama, 555 - Torre). Mais informações pelos fones: (83) 3221-3590 / 3513-7548.
Fátima Farias – Assessora de imprensa da FEPB


folder_enesp1.jpeg