segunda-feira, 30 de abril de 2012

Acréscimo de misericórdia

“Procurai primeiramente o Reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo.” (Mateus, 6:33; Lucas, 12:31.)

Clara Lila Gonzales de Araújo
É possível aquilatar a extensão das bênçãos que dimanam da misericórdia de Deus? Sabemos avaliar a amplitude das oportunidades que nos chegam, exercitando o amor ao próximo e incumbindo-nos de aplicar hoje o tempo, a energia e os esforços que desperdiçamos outrora? De acordo com o versículo acima, os resultados surgidos das conquistas de valores espirituais nos permitem receber, por acréscimo da generosidade divina, múltiplos ensejos de bem realizarmos iluminadas atividades, que procuramos vivenciar em meio a júbilos de esperança e paz. Essas manifestações, em forma de pensamentos, de conversações, de hábitos, de conduta, mercê da aquisição de ideais superiores, são propósitos que se exprimem em atos de caridade legítima, levando-nos a sentir a presença de Deus em nós e descobrindo o seu verdadeiro Reino. Entretanto, tornar-se espírita não é santificar-se de um momento para o outro, além de não significar privilégio, dadas as condições da justiça superior, que se manifesta em nós como consequência da lei de causa e efeito, mesmo considerando as lutas difíceis que travamos durante anos de dedicação e serviço em favor do Espiritismo. 

Constantino, Espírito protetor, na mensagem inserida em  O Evangelho segundo o Espiritismo, afirma, terminante: Bons espíritas, meus bem-amados, sois todos obreiros da última hora. Bem orgulhoso seria aquele que dissesse: Comecei o trabalho ao alvorecer do dia e só o terminarei ao anoitecer. Todos viestes quando fostes chamados, um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, para a encarnação cujos grilhões arrastais; mas há quantos séculos e séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que quisésseis penetrar nela! Eis-vos no momento de embolsar o salário; empregai bem a hora que vos resta e não esqueçais nunca que a vossa existência, por longa que vos pareça, mais não é do que um instante fugitivo na imensidade dos tempos que formam para vós a eternidade.1
 
Urge, desse modo, perseverar no trabalho a fazer, tendo a necessária paciência, sobretudo, ao enfrentar os rudes resgates que porventura surjam frente às surpresas da marcha existencial, sem nos entregarmos ao desânimo. Determinados companheiros espíritas não aceitaram essa realidade, deixando de alcançar planos mais elevados no cumprimento de suas tarefas e abandonando a esfera de lutas enobrecedoras. Sentiram-se inconformados, em meio às provações, por não terem seus desgostos diminuídos, sem aproveitar da aplicação dos ensinamentos doutrinários para melhor compreender a equidade divina, esquecendo-se de que, ao sofrermos os prejuízos de nossos erros, “por infinita misericórdia, devemos ter que Deus não é inexorável, deixando sempre viável o caminho da redenção”.2 Allan Kardec faz excelente análise sobre as implicações das penas futuras segundo o Espiritismo, advertindo: [...] todos têm o mesmo ponto de partida e nenhum se distingue em sua formação por melhor aquinhoado; nenhum cuja marcha progressiva se facilite por exceção: os que chegam ao fim, têm passado, como quaisquer outros, pelas fases de inferioridade e respectivas provas. [...] Todos somos livres no trabalho do próprio progresso [...]. O romeiro que se desgarra, ou em caminho perde tempo, retarda a marcha e não pode queixar-se senão de si mesmo.3 [...] Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade. A cada um segundo as suas obras, no Céu como na Terra: – tal é a lei da Justiça Divina.4
 
A disposição sincera de servir ao semelhante, que empreende-mos na labuta junto à seara de Jesus, procurando evoluir de forma perseverante, nos faz superar os padecimentos como meio de sanar os erros morais que cometemos em existências pregressas. Assim agindo, angariamos a simpatia dos Espíritos superiores que nos concedem amparo para concretização das inúmeras possibilidades que a prática do Espiritismo oferece, fortalecendo-nos e iluminando-nos para o futuro, devidamente elucidados pelo conhecimento espírita. Deus, pois, não cria seres privilegiados, mas “fez da felicidade o prêmio do trabalho e não do favoritismo, para que cada um tivesse seu mérito”.5 O Espírito Emmanuel faz referência às circunstâncias em que desencarnaram muitos dos grandes vultos da Humanidade, após a vivência de desmedidas agruras, como pessoas que foram: exiladas, trucidadas, ludibriadas, famintas, enfermas, perseguidas, endividadas, paupérrimas, indigentes, guilhotinadas, em penúria extrema, assassinadas etc., além das que viveram menos penosamente, mas não deixaram de enfrentar duras provas. Trata-se de um alerta para os infortúnios e reveses terrenos que parecem absurdos de serem experimentados por criaturas reconhecidamente valiosas e que contribuíram para o progresso do mundo. Nesse sentido, conclui o eminente mentor espiritual: [...] é forçoso reconhecer que passaram, entre os homens, também sofrendo e lutando, junto à bigorna do trabalho constante. Cada consciência é filha das próprias obras. Cada conquista é serviço de cada um. Deus não tem prerrogativas ou exceções. Toda glória tem preço. É a lei do mérito de que ninguém escapa.6
 
Certamente, a advertência do generoso Emmanuel é para avivar, principalmente, a vigilância dos espíritas que, ao se defrontarem com os infindáveis problemas a vencer, sobretudo na hora crucial do testemunho, se não tiverem aproveitado os conhecimentos doutrinários apreendidos, sabendo empregá-los em todos os momentos terrenos para fortalecimento do Espírito, de nada valerão os esforços que desenvolverem em benefício da Doutrina, por falta de méritos conquistados no caminho da legítima redenção de si mesmos. O Espiritismo convida-nos a seguir no rumo certo ao destacar que as verdadeiras ideias a serem cultivadas pelos homens, devem estar em completa sintonia com os princípios lidimamente cristãos. Em visita à “Mansão Paz”, escola espiritual luminosa, que permanece sob a jurisdição de “Nosso Lar”, os Espíritos Hilário e André Luiz são esclarecidos por seu diretor Druso sobre o atendimento aos Espíritos que ali aportam, necessitados e infelizes, mas decididos a trabalhar pela própria regeneração, conseguindo compreender a “importância da existência carnal, como sendo verdadeiro favor da Divina Misericórdia”7 e do esforço a ser despendido para se adaptarem aos mecanismos da imprescindível Justiça. Druso, no entanto, reforça o valor da súplica, para que, ao encarnarem, não percam o ensejo de melhoria espiritual:
– A prece, no sentido a que aludimos, é sempre um atestado de boa vontade e compreensão, no testemunho da nossa condição de Espíritos devedores... Sem dúvida, não poderá modificar o curso das leis, diante das quais nos fazemos réus sujeitos a penas múltiplas, mas renova-nos o modo de ser, valendo não só como abençoada plantação de solidariedade em nosso benefício, mas também como vacina contra a reincidência no mal. [...] a prece faculta-nos a aproximação com os grandes benfeitores que nos presidem os passos, auxiliando-nos a organização de novo roteiro para a caminhada segura.8
 
A melhor forma de orar é a que se traduz em trabalho, integrando-nos aos planos da Providência.O espírita consciente não é simples detentor de conhecimentos doutrinários, apenas pelo puro prazer intelectual. Sabe que problemas advirão, de acordo com a responsabilidade de agir dignamente diante das leis divinas; topará com o “orgulho, o egoísmo, a ambição, a cupidez, o fanatismo cego, os quais, levados às suas últimas trincheiras, tentam barrar-lhe o caminho e lhe suscitam entraves e perseguições”.9 Essas lutas, no entanto, são de ordem moral e haverão de ser vencidas, passo a passo, por acréscimo de misericórdia do Pai Amantíssimo e de Jesus, Excelso Condutor de nossas almas, cuja aplicação de seus ensinamentos permite construir o Reino de Deus em nós.
 
Referências:
1 KARDEC, Allan.  O evangelho segundo o espiritismo . Trad. Guillon Ribeiro. 130. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 20, it. 2.
2 ______.  O céu e o inferno . Trad. Guillon Ribeiro. 2. ed. esp. 2. reimp. Rio de Janei-ro: FEB, 2011. P. 1, cap. 7, it. Código pe-nal da vida futura, subit. 29.
3 ______. ______. Subit. 32.
4 ______. ______. Subit. 33.
5 ______. ______. Subit. 32.
6 XAVIER, Francisco Cândido. Justiça divina. Pelo Espírito Emmanuel. 13. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Lei do Mérito, p. 121-123.
7 ______.  Ação e reação. Pelo Espírito André Luiz. 2. ed. esp. 2. reimp. Rio de Ja-neiro: FEB, 2010. Cap. Ante o Centenário.
8 ______. ______. Cap. 19, p. 280.
9 KARDEC, Allan.  O evangelho segundo o espiritismo . Trad. Guillon Ribeiro. 130. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 23, it. 17.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Bater ou não bater, eis a questão

Wellington Balbo

Com ou sem palmada educar os filhos é a missão primordial dos pais. Há os que defendem a palmada como forma de educar alegando que as receberam e são pessoas de bem, e há os que defendem a posição de que para educar não é preciso dar palmada. Eu, por exemplo, tomei palmadinhas e palmadões e ainda assim fiz muita besteira nesta vida.

Em meu caso não sei se as palmadas resolveram muita coisa.

A verdade é que hoje as palmadas estão saindo de moda. Poucos pais a utilizam para educar. No entanto, saiu a palmada e entrou em ação a permissividade. Tudo pode, tudo vale. É proibido proibir os filhos. Atualmente os pais permitem muito e cobram pouco. E como cobram pouco, quando cobram geralmente os filhos torcem o nariz para pagar. Óbvio, não estão acostumados.

A chamada geração Z está crescendo muito mimada e sem ideia de responsabilidade, entretanto não quero generalizar. Se você é um pai ou mãe que consegue impor limites aos filhos, ensiná-los a como gastar, ou, melhor dizendo, a como não gastar o seu dinheiro, a apreciar o estudo e respeitar o semelhante está no caminho certo.

Outro dia presenciei uma cena muito interessante do Gustavo, um velho amigo. A filha, uma adolescente de 15 anos queria ir a um baile com as amigas. O Gustavo, sempre reticente quando a questão se refere a balada, disse à filha que ela não iria ao baile. Mas ela teimou, insistiu, a mãe entrou no meio da conversa pra negociar e por fim chegou o exército muito bem armado: as amigas da filha do Gustavo implorando para que ele deixasse a garota ir ao baile. “Deixa, tio, por favor” – pediam as meninas com aquela voz manhosa.

E após muita conversa e negociação ficou decidido o seguinte: Gustavo cederia e deixaria a garota ir ao baile, porém... ah, porém, sempre ele no meio, a filha deveria apresentar o boletim no 4 bimestre, (aquele bimestre que muitos alunos costumam desprezar por já terem fechado as notas), com a média acima de 7,0. Caso isso não ocorresse a garota passaria toda a época de férias sem poder sair de casa e estudando. A menina, com a irreverência própria dos adolescentes, afirmou empolgada: “Tirar 7,0 na escola é mamão com açúcar! Puxa, pai, o senhor nem exigiu muito!” E Gustavo respondeu: “É para você poder pagar, minha filha!” Prevenido como todo pai Gustavo escreveu documento de próprio punho para que a filha assinasse e então selassem o acordo. E assim foi feito. Papel assinado e meninas contentes. A filha de Gustavo saiu aquela noite.

E os dias transcorreram tranquilamente até que chegou o momento de pagar a fatura, ou seja, da filha mostrar o boletim ao pai. Era uma sexta feira. Gustavo pediu o boletim e para sua surpresa não havia açúcar naquele mamão, mas, sim, sal. A filha não cumprira com o combinado e as notas estavam bem abaixo do medíocre 7,0 acertado dias atrás. Em poucas horas lá estavam as amigas da filha de Gustavo pedindo a ele para que cedesse e deixasse a garota ir ao shopping. Ele apenas retirou de seu bolso o documento assinado pela filha e mostrou para todas elas dizendo: “ Eis o documento, eu cumpri com a minha parte no combinado, agora, minha filha, é a sua vez!”.

A garota, inconformada, redargüiu: “Mas pai, terei que ficar em casa estudando as férias inteiras?” E Gustavo arrematou sem palmadas: “Exatamente, minha filha, o que é combinado não é caro”. E, virando-se para as amigas de sua filha pediu licença para que a sua menina pudesse começar em breves minutos a estudar Geometria.

Gustavo não bateu, mas também não foi permissivo. Será que educou?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Enesp atrai público variado


Enesp atrai público variado
O Encontro Espírita Paraibano (Enesp), realizado no período do Carnaval, na Federação Espírita Paraibana, reuniu um público variado, formado por adultos, jovens e crianças, além de palestrantes de diversos estados.
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O tema central foi pautado numa abordagem bastante atualizada: ‘Jesus e a família na Transição Planetária’, que fazendo um link destacou os seguintes temas: A família com Jesus, A geração nova e a transição planetária, Transição planetária: abordagens e visões de autores espirituais, Família com Jesus: necessidade da nova era, Família: encontros e desencontros, Jesus no epicentro da transição.
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Intercalando com palestras de Haroldo Dutra (MG), Éden Lemos (RN), Marcelo Mota (PE), Orson Carrara (SP), Severino Celestino e Suely Cavalcanti (PB), houve diversas apresentações artístico-culturais e recreativas. O Enesp teve programação especial para a juventude (Enesp Jovem) e crianças (Enespinho).

Texto: Fátima Farias – Ascom/FEPB
Fotos: Orlando Jorge
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                                       Orson Carrara entrevistado sobre Mediunidade
Já após o encerramento do Enesp, na quarta-feira (23) à noite, cerca de 150 pessoas participaram de um encontro com Orson Carrara. Na ocasião ele falou sobre a mediunidade. O público, a seguir, realizou perguntas, no estilo “pinga-fogo” sobre o assunto.
Orson Carrara, residente em Matão (SP), participou da programação do Enesp e Miep. Ele é escritor de dez livros mais dois no prelo, é articulista de vários órgãos da imprensa espírita brasileira e internacional, além de atuar como palestrante em todo país. Atualmente edita uma revista eletrônica, que pode ser conferida no site www.oconsolador.com
Texto e fotos: Fátima Farias – Ascom/FEPB

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

‘Jesus e a família na Transição Planetária’ é tema de encontro no Carnaval

‘Jesus e a família na Transição Planetária’ é tema de encontro no Carnaval
Pessoas avessas aos festejos de momo poderão aproveitar a oportunidade para momentos de reflexão e ouvir palestras com oradores de diversos estados. A Federação Espírita Paraibana realizará o Encontro Espírita Paraibano (Enesp), que acontecerá de 18 a 21 de fevereiro, no Auditório da instituição.
O Enesp, que terá como tema central “Jesus e a família na transição planetária” constará de conferências, palestras, oficinas, atividades artístico-culturais e recreativas, além do Enesp Jovem e Enespinho para crianças.
Serão conferencistas: Haroldo Dutra (MG), Éden Lemos (RN), Marcelo Mota (PE), Orson Carrara (SP), Severino Celestino e Suely Cavalcanti (PB).
Os temas abordados, além do central, serão os seguintes: A família com Jesus, A geração nova e a transição planetária, Transição planetária: abordagens e visões de autores espirituais, Família com Jesus: necessidade da nova era, Família: encontros e desencontros, Jesus no epicentro da transição.
As inscrições encontram-se abertas na FEPB (av. Bento da Gama, 555 - Torre). Mais informações pelos fones: (83) 3221-3590 / 3513-7548.
Fátima Farias – Assessora de imprensa da FEPB


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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Ricardo prestigia palestra de Divaldo Franco na Federação Espírita


O governador Ricardo Coutinho prestigiou a palestra do médium e conferencista de nível internacional Divaldo Franco, neste sábado à noite, na Federação Espírita Paraibana. O evento fez parte do início das comemorações dos 96 anos da instituição, que acontecerá próxima terça-feira (17/01).
 
Neste domingo, Divaldo Franco ministrará um seminário sobre Transição Planetária. Mais de mil pessoas assistiram à palestra, distribuídas num auditório principal superlotado, necessitando providenciar mais outro mini-auditório com telão para acolher a demanda.
 
Foi considerável o número de comitivas de outros estados e cidades paraibanas, que se deslocaram especialmente para participar do evento. Tinha gente de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Campina Grande e outras cidades paraibanas.
 
Na ocasião, a FEPB ofereceu uma placa para o ex-presidente da Federação Espírita Paraibana, Laurindo Cavalcanti (in memorian), entregue por Divaldo Franco ao sobrinho do homenageado, Ivaldo Mário, que representou a família. O presidente da FEPB, José Raimundo de Lima, destacou a relevância que foi Laurindo para a difusão da Doutrina Espírita na Paraíba.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Os efeitos morais do perdão


Clara Lila Gonzales de Araújo
“Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho.” (Mateus, 5:25.)
Jesus, na passagem registrada pelo evangelista Mateus, aconselha-nos a desvencilhar-nos dos dolorosos grilhões do passado obscuro, por meio da exemplificação do ato sublime de perdoar os que nos feriram, e solicitar perdão a algum de nossos irmãos que, pelos agravos que lhes tenhamos feito, se transformam em desafetos, muitas vezes, por razões de contraditas estéreis e pueris.

Na prática do perdão, o tema sugere ampla abordagem, mas gostaríamos de centrar essa análise nas dificuldades que surgem dos relacionamentos existentes entre os Espíritos que permanecem encarnados.

Determinadas pessoas, ao serem injuriadas, expressam indignação e revolta promovendo manifestações pessoais de cólera e superioridade na ânsia de agredir o ofensor e colocam-se na mesma posição do oponente ao quererem revidar as agressões recebidas. Nem sempre privilegiam a generosidade e a complacência e torna-se difícil esquecer o mal cometido contra elas ao exigirem retratação das afrontas recebidas, sem saberem perdoar com verdadeira simplicidade de coração. “O perdão sincero é filho espontâneo do amor e, como tal, não exige reconhecimento de qualquer natureza”.1
Esquecem que as ofensas são perdoadas por Deus, na mesma proporção em que houverem perdoado os que as ofenderam.

Ao enunciar o  Pai Nosso,o Mestre nos ensina a pronunciar: “Perdoa-nos nossas dívidas, como também perdoamos nossos devedores” (Mateus, 6:12).2
Allan Kardec indaga: “Esse perdão é, porém, incondicional? É uma remissão pura e simples da pena em que se incorre?”. Ele conclui que não, pois:

[...] a medida desse perdão subordina-se ao modo pelo qual se haja perdoado, o que equivale dizer que não seremos perdoados desde que não perdoemos.3

A caridade não consiste apenas em ajudarmos os que carecem de necessidades materiais ou que precisam de consolo para suas dificuldades morais, mas, principalmente, em olvidarmos e perdoar-mos os insultos recebidos. Entretanto, como desculpar com verdadeira espontaneidade de coração, se na trajetória da existência surgem adversários que se tornam frios e indiferentes, influindo-nos para que sejamos também assim?
Dentro dessa realidade, devemos aceitar as investidas daqueles que amamos, em forma de ingratidão e indiferença, após demonstrações de puro afeto que lhes outorgamos? Infelizmente, pelas imperfeições morais que ainda nos caracterizam a personalidade, cultivamos sentimentos de mágoa e rancor ao recordarmo-nos dos agravos que sofremos. Kardec, na análise que faz sobre a caridade, na suamais ampla acepção, alerta-nos:

Com efeito, se se observam os resultados de todos os vícios e, mesmo, dos simples defeitos [...] todos têm seu princípio no egoísmo e no orgulho [...] e isso porque tudo o que sobreexcita o sentimento da personalidade destrói, ou, pelo menos, enfraquece os elementos da verdadeira caridade, que são: a benevolência, a indulgência, a abnegação e o devotamento. Não podendo o amor do próximo, levado até ao amor dos inimi gos, aliar-se a nenhum defeito contrário à caridade, aquele amor é sempre, portanto, indício de maior ou menor superioridade moral, donde decorre que o grau da perfeição está na ra zão direta da sua extensão. [...]4

O indivíduo que deseja perdoar sinceramente, consciente das consequências sublimes que esse ato acarreta, assume a atitude inspi rada no Evangelho, valendo-se do admirável ensinamento: “Não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes” (Mateus, 18:22). O perdão verdadeiro esquece, em definitivo, o mal recebido; não se gaba da concessão a fazer, sem vangloriar-se da absolvição concedida aos inimigos. Os que agem assim não se perturbam por “nenhuma raiz de amargura” (Paulo aos Hebreus, 12:15) e exemplificam atitudes de desprendimento e compreensão
legítima, ao acolher com brandura o ofensor. Por esse motivo, Martins Peralva (1918-2007), escritor espírita, em uma de suas obras sobre os valiosos estudos do Espírito Emmanuel, observa:

O perdão que o Espiritismo e os amigos espirituais preconizam em verdade não é de fácil execução. Requer muita boa vontade. Demanda esforço – esforço continuado, persistente.

Reclama perseverança. Pede tenacidade. É bem diferente do perdão teológico, que deve ter tido, em algum tempo, sua utilidade. Não se veste de roupagem fantasiosa, não se emoldura de expressões simplesmente verbais.5

Aquele, pois, que se sinta ofen ido deve esforçar-se para domars energias afetivas que, convertias em paixões desequilibradas, avram ódios intempestivos, demonstrando que estamos longe e alcançar a sublimidade dos sentimentos, especialmente nos momentos de crises morais da vida.
Deveríamos compreender de maeira decisiva as leis que regem as ausas e os efeitos dos pensamen os e atos que conservamos, recohecendo que ainda nos deleitams situações de represália para com as pessoas que nos comba em. A paz é patrimônio divino que se torna imprescindível defender! O Espírito Angel Aguarod, em análise sobre a questão, afirma categórico:

O desejo de paz, nos que ainda não chegaram ao ponto médio da evolução, permanece em estado de aspiração, por não terem sabido tirar dos descala bros sofridos as consequências naturais que deles brotam e mediante as quais aprende o ser racional a cimentar a paz na própria paz, isto é, na paz da alma, que exige, para tornar-se efetiva, a eliminação de todo sentimento antifraternal [...].6

Nesse contexto, proliferam sentimentos contrários à caridade e que influenciam nocivamente a sociedade e os indivíduos que a compõem.Ora, se “o progresso material de um planeta acompanha o progresso moral de seus habitantes”,7 inferimos que, ao atuar desse modo, não conseguimos aplicar o livre-arbítrio para disseminar a Doutrina Espírita na Terra, à luz do Evangelho. Querer lutar em objeção aos adversários, magoando-os, muitas vezes, em
condição humilhante, com o propósito de desforra, afasta-nos da bondade e da indulgência sinceras, mormente ao desdenhar os esforços daqueles que porventura pretendem reconciliar-se conosco.

“Quem perdoa liberta o coração para as mais sublimes manifestações do amor que eleva e santifica”.8
Para tanto, é urgente buscar o progresso individual; interrogar mais assiduamente a consciência e verificar quantas vezes fracassamos no trato com as pessoas que nos cercam na esfera familiar, no ambiente profissional, no grupo espírita e em outros círculos que vivenciamos em prol da evolução particular. Luminosos conselhos são oferecidos por Santo Agostinho, em benefício doconhecimento de nós mesmos:

[...] Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não na podereis ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. [...]9

Paulo, o apóstolo, em mensagem inserida em O Evangelho segundo o Espiritismo,10 convida-nos a avaliar as próprias características comportamentais e mostra-nos que somos Espíritos exigentes, inflexíveis, duros e  rigorosos, nem sempre atentos à possibilidade de reconhecer que os rompimentos podem ter sido iniciados por nossa culpa ao convertermos em  querela grave o que poderia, facilmente, ter sido deslembrado. O perdão não exclui a necessidade da vigilância, e o amor ao próximo deve pautar as decisões que tomarmos para não termos dúvidas quanto a reconciliar-nos com os nossos opositores, conforme recomendação de Jesus.

Referências:

1 XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 335.
2 DIAS, Haroldo Dutra. (Trad.) O novo testamento. Brasília: EDICEI, 2010. p. 55.
3 KARDEC, Allan. O céu e o inferno. Trad. Manuel Quintão. 2. ed. bolso. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. P. 1, cap. 6, it. 6.
4______. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 25. ed. bolso. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010.Cap. 17, it. 2.
5 PERALVA, Martins. O pensamento de Emmanuel. 9. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 24, p. 175.
6 AGUAROD, Angel.  Grandes e pequenos problemas. 7. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 6, it. 3, p. 216-217.
7 KARDEC, Allan.  A gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 2. ed. bolso. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 11, it. 27.
8 PERALVA, Martins. O pensamento de Emmanuel. 9. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 24, p. 177.
9 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 14. ed. bolso. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Q. 919a, p. 451.
10______. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 25. ed. 3.reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 10,it. 15

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Espíritas distribuem milhares de mensagens nos Cemitérios

Espíritas distribuem milhares de mensagens nos Cemitérios

Milhares de mensagens foram distribuídas nos cemitérios da Capital, pela campanha “Divulgando a imortalidade”, da Federação Espírita Paraibana, através da Assessoria de Comunicação Social, promovida anualmente no Dia de Finados.
O evento foi concluído no final da tarde com a palestra “Esclarecendo a imortalidade”, proferida pelo presidente da FEPb, José Raimundo de Lima, no Cemitério Parque das Acácias, acompanhada da apresentação musical da dupla Neifa e Wallace.
Este ano, a campanha FEPb contou com o apoio dos Polos Espíritas e Coordenadorias Regionais. Foram instaladas tendas nos cemitérios da Capital, ilustradas com banners e a mensagem “A vida não termina aqui. A doutrina espírita explica”. No local foram disponibilizados jornais, revistas, folhetos e folders. Paralelamente, uma equipe de espíritas distribuiu mensagens com os visitantes.
Na edição do domingo (30.10), o Jornal da Paraíba encartou a mensagem, antecipando a campanha para os leitores de toda Paraíba. A campanha aconteceu também em Campina Grande e noutras localidades do estado.
Mais uma vez a mídia em geral divulgou a campanha, bem como promoveu cobertura, estendendo, assim, a mensagem espírita para toda Paraíba, através do jornal, rádio e TV, além da amplitude planetária via repercussão nos portais.

Texto e fotos: Fátima Farias - Assessora de comunicação social da FEPB
 Confira as mensagens neste link:

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